
Mas coisas interessantes também podem acontecer em momentos inesperados. Sábado à tarde. Caia um “pé d’água”, como costumam dizer por aqui, minha casa estava vazia. Eu fazia companhia a um rapaz. Sentado. Olhando pro nada. Atendia ao telefone de vez em quando.
De repente entra um saco plástico e se senta junto ao rapaz. Estranhou. Pois era isso mesmo. Uma jovem adentra o salão com um saco plástico na cabeça. Desesperada. Parecia uma mercadoria de supermercado.
- Eu não estou acreditando nessa chuva! Meu cabelo vai ficar horrível pra festa! – esbravejava.
- Calma amor. Nem molhou. O seu cabelo está lindo! – dizia o rapaz tentando animá-la.
Além do saco na cabeça, ela trazia um volume estranho no abdômen. Olhei. Achei aquilo estranho. A moça era magrinha demais pra ter uma barriga volumosa como aquela. Fiquei encafifado. Eu estava certo ela era magrinha mesmo. O volume se tratava tão somente de um cachorro.
Um lindo cachorrinho. O namorado não se conteve:
- O que é isso? Pra que colocá-lo dentro da blusa?
- Ele acabou de sair do pet! Fez escova... Não pode se molhar!
Finalmente a moça sentou. Amarrou o inquieto “pitchuco” na cadeira. Abriu uma bolsa enorme. Tirou de lá um pente. Espelho. Maquiagem. Acessórios para o cachorro. Entre eles uma escova. Um potinho de água. Água. “Petisquinhos”. Não parava de sair coisa de lá.
Pediu um café. Voltei. Cheio. Quente e encorpado.
- Garçom, traz adoçante, por favor?
- Infelizmente está em falta senhora.
- Tudo bem.
Tudo bem mesmo. Ela no mesmo momento retirou três saquinhos de adoçante da bolsa. Fora todo resto. Celular. Carteira. Agenda. Etc. Etc. Etc.
- Lindinha. Tem mais alguma coisa ai? Só falta você tirar a sua mãe de dentro dessa "mala"!
Mariana Primi Haas - MTB 47229
Março/2009