terça-feira, 3 de março de 2009

Crônica 40: O Calor

Que calor é esse, minha gente! E olha que eu adoro temperaturas altas. Como diria um amigo meu, sou sempre servido “quentinho”. Mas, com trinta e três graus é realmente complicado concorrer com opções mais leves e refrescantes. Que raiva.
As pessoas chegam, sentam e, lá de trás do balcão, eu posso ouvir comentários do tipo: “estava louca por um cafezinho, mas hoje vai ser uma água com gás”. Nossa fico pra morrer. Como pode? Eu ali, pronto para receber meus amigos. Pronto para estabelecer aquela relação de amizade, cumplicidade. E esses mesmos amigos preferindo algo gelado.
Nunca ouvi ou vi alguém sentar para refletir tomando suco de laranja. Dia desses fiquei realmente possesso. Uma de minhas maiores apreciadoras sentou-se como sempre faz. E pediu uma coca-cola. Eu, que já estava pronto quando o garçom chegou para tirar o pedido, fiquei desorientado. Como assim?
Sucos, águas e refrigerantes não tem o mesmo poder que um bom café sobre seus consumidores. Apenas refrescam. Isso quando não escolhem sorvetes. É verdadeiramente desgastante. Eu sou um clássico. Os sorvetes são pura massa gelada em uma casquinha. Derretem, fazem sujeira.
Não serei injusto. Alguns tentam degustar-me mesmo sob o efeito escaldante do sol. Como sabem, venho sempre acompanhado de uma água. Um pequeno e delicado copinho. Normalmente é esquecido. Deixando o papel principal para mim. Atualmente, no entanto, tornou-se a estrela.
Muitos apenas dão um golinho em mim e logo me abandonam. Optando por aquele insignificante copinho de água. Justo ele, que deveria realçar meu sabor, meus tons. Agora virei figuração. O ambiente na cozinha está inóspito. As bebidas geladas andam cada dia mais fazendo pirraça comigo. Costumam dizer: “moramos na sua casa e fazemos mais sucesso que você”.
É, meus queridos, é difícil ser café em pleno verão tupiniquim. Mas o inverno vai voltar e meus amigos voltarão a me procurar. Então, esses “refrescos” verão como é que as coisas realmente são. Não se preocupem, eu não sou vingativo e estarei sempre aqui esperando por todos bem quentinho e acolhedor.

Mariana Primi Haas - MTB 47229                                                                                                                                        Março/2009

8 comentários:

Eloyr disse...

Nossa, como o café tá amargo hoje! Deixa o verão ferver. Quem precisa de inverno?

Luis Fernando disse...

Mas o café poderia ficar um pouco mais tranquilo sabendo que ainda existe quem tome café gelado, ou sorvete de café, ou ainda uma torta de café! Ele não precisa ser sempre quente....

Tally disse...

que inverno, o q? vamos aproveitar o verão, minha gente. muita coca-cola com gelo e limão! hahahaa

Luiz Galvão disse...

No Saara, no Alaska, Artico, Trópicos, na Caatinga, no Anazonas,na atmosfera e até no fundo do mar...sempre café...imagina que um calorzinho desses vai me tirar o barato de seis xícaras de café assim que acordo e vários cigarros..rs..rs...bem, desse jeito sei que não chego em nenhum desses lugares rs rs..só se for para ver lá do céu..como astronauta com asinhas de anjo,ou o glub glub de uma marca de tabaco paraguaia.... porém com muito café na cabeça...
os cigarrinhos???...já estou estocando desde os quinze anos...acho que dá conta..rs..espero. O cafezinho será servido gratuitamente.

meus instantes e momentos disse...

O que seria do calor, sem o quente que o completa???
maurizio

Elaine Leme disse...

Mari, mesmo com esse calor tomo café todos os dias de manhã....adoro café!

e ai, gostou da aula ontem?

beijocas

Regina disse...

Ai que caloR-OOOROOOR.
Ai que caloR-OOOROOOR.
Atravessei o deserto do Saara,
o Sol estava quente e queimou a minha cara...
Nesse cenário, sou mais o drink sugerido pelo cafezinho que está se mostrando bastante fundamentalista. Esfrie a cabeça e apresente-se gelado.Hehehehe.

Anônimo disse...

Sabe de uma coisa? no CALOR tórrido do Mato Grosso do Sul, o café é sempre servido muito forte e pouquíssimo açúcar, mas sempre acompanhado, antes, de um copo de água super gelada.É excelente para o calor.
Vamos divulgar.
E olha que seu pai e seu avô paterno experimentaram, e gostaram quando por lá me visitaram em 1985.
Beijo.